terça-feira, 7 de abril de 2009

Que seja eterna a criança


“Vamos brincar turma?”. Ah, como eu gostava de passar a tarde inteira brincando com meus amigos, e me lembro que muitas das vezes recebíamos até a companhia da lua e das estrelas.
Eu morava numa cidade pequena e por isso era tudo mais fácil para se ter uma infância bem proveitosa. Esconde-esconde, pega-pega, rio vermelho, polícia e ladrão, caça ao tesouro entre outras tantas brincadeiras que guardo (a sete chaves) na minha lembrança (tenho também algumas marcas de hematomas presentes até hoje em meu corpo, mas preservo-as com nostalgia).
Ainda não tínhamos consciência, vivíamos com a naturalidade e instinto de um ser que veio ao mundo. Com o passar do tempo os mais velhos e o sistema vão nos passando as regras para se estabelecer nessa vida. Até recordo de um amigo meu que dizia sempre a sua mãe: “Mamãe, não quero nunca crescer, não quero deixar de ser criança!”. Pobrezinho, creio que teve que crescer.
Mas é assim, a infância passa e a criança morre. Bem que poderia ser diferente: a infância passar, como é da natureza, afinal nós envelhecemos; mas a criança nunca poderia morrer, nunca poderíamos perder a pureza dela.
Hoje as crianças são “treinadas” a participarem do sistema cada vez mais cedo. A consciência (estou falando de uma consciência de conhecimento do mundo à sua volta, e não da consciência de sabedoria que uma pessoa pode ter no coração) chega até elas muito rapidamente, fazendo com que pulem etapas. Vídeo-game, computador, televisão: que bagagem as crianças de hoje vão levar para a vida sem viver a infância da liberdade, dos machucados e da maravilhosa companhia da lua e das estrelas? Aliás, crianças de hoje em dia estão tendo essa companhia sim.
Por entrarem cada vez mais rápido nesse “treinamento” as crianças passam a fazer tudo antes da hora: beijar, transar, ingerir drogas (pra isso não tem uma hora certa, mas acho que deu pra entender o que quis dizer) entre outras coisas que estão fazendo com a companhia citada acima. A influência para as crianças é muito negativa, por mais que dentro de casa recebam uma ótima educação.
A chance de hematomas fica maior, mas não daqueles ralados e roxos no joelho durante uma brincadeira de pega-pega; e sim, das quedas (literalmente também) ao ingerir drogas, das chateações amorosas vindas ainda numa fase de pouco discernimento e das várias doenças que drogas e relações sexuais podem causar. Infelizmente o mundo está vulgar e a criança está se contagiando.
Essa pureza que existe no coração de uma criança ainda não afetada pelo sistema deve ser preservada por toda sua vida. Ações e relações tratadas com naturalidade e instinto acabam não vendo diferenças (credos, raças, nacionalidades, as mais explosivas no mundo atual e talvez em toda a história) e não contendo ambições. Se todos tivessem deixado a infância morrer, mas nunca deixado de lado a criança que existiu dentro de cada um, talvez esse mundo seria melhor.
Isso é o que eu quero passar para os meus filhos, para os filhos dos meus amigos, enfim, para todas as crianças que eu puder encontrar por aí e trocar algumas palavras. Aliás, nós que já crescemos e somos chatos não damos muito valor a essas palavras trocadas com as crianças. Sei que pode ser careta o que elas vão nos dizer, mas se dermos total atenção e abrirmos o nosso coração, com certeza aquilo vai nos ajudar a recuperar a nossa criança perdida, pois está tudo ligado à nossa naturalidade e instinto. Nós temos que ajudá-las, mas a ajuda que elas têm a dar pra gente é muito maior. Basta darmos uma chance.

Um comentário:

  1. É essa infância de antigamente que deixa a maior saudades. Saudades da inocencia, das preocupações que não tinhamos. Mais essas recordações sempre ficarão guardadas em nossos corações ou até mesmo em forma fisica (os tais hematomas)...rs ^^

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