terça-feira, 14 de abril de 2009

Uma alimentação balanceada


“Que despertador chato, pára de tocar!”. São sete horas da matina, hora de levantar, o trabalho me chama. A cama eu arrumo quando voltar, aliás, pro bem da verdade, só arrumo a cama nos finais de semana, ou quando alguém vem me visitar. Prefiro fazer outras coisas, meu tempo é muito curto. Vou até o banheiro, lavo o rosto, faço o “pipi” matinal (às vezes o famoso “número dois” também) e nunca, mas nunca mesmo me olho no espelho (já não sou tão bonito, imagina quando acordo então).
Café-da-manhã: chegou a refeição mais importante do dia (dizem por aí), aquela que você não precisa aguardar ansiosamente, pois é só acordar, seja a hora que for, que ele sempre estará lá te esperando. Aí é que mora o problema. Como eu moro sozinho, ele nunca está me esperando. E como eu sou preguiçoso (não o dia todo, só de manhã mesmo) não tenho ânimo pra prepará-lo.
A saída então é comer na padaria da esquina, quando tenho dinheiro (o pão-de-queijo mais o cafezinho, e pode pôr “inho” nisso, custam juntos três reais), ou no trabalho, onde não pago nada. Mas é que tem um problema, todo dia no trabalho é sempre a mesma coisa, e essa mesma coisa não é das melhores. Então acabo dividindo a minha principal refeição entre padaria e trabalho durante a semana. Ah, aí é isso, vou ao trabalho num ônibus lotado, entro às nove horas da manhã, faço o meu serviço durante oito horas diárias (pra ganhar míseros novecentos reais), saio às cinco horas da tarde e volto pra casa (de carona com meu chefe, às vezes, senão em outro ônibus, esse mais lotado ainda). Enfim, esse é meu dia de labuta.
Deixando o meu trabalho de lado, o qual serviu como ponte de ligação, o que eu quero discutir mesmo é sobre como nos alimentamos no dia-a-dia. Já falei do café-da-manhã, e já deixei bem claro que não estou me alimentando bem nessa hora do dia.
Semana passada estava lendo uma revista e vi que é bom comer alguma fruta, além do pãozinho e do café. Mas se eu comprar a fruta na padaria vai subir o preço em um real. Então pensei, vou comprar bastantes frutas no mercado e todo dia levo uma comigo, aí vou comendo no ônibus ou até mesmo quando chegar ao trabalho. Só que até hoje não comprei, mas o que importa é que matei a charada, a refeição mais importante do dia está sob controle, só falta mesmo comprar.
Agora vem o almoço. Nessa hora já estou no trabalho e lá eles têm um refeitório. Almoço de graça, e até que é uma comida boa. O que tem de ruim no café-da-manhã deles, acabam compensando no almoço. Até que tem variedade: arroz, feijão, dois tipos de carne, macarrão, bastante salada e o principal, um suquinho natural de laranja, que não pode faltar. O almoço, segundo a revista, está balanceado. Enfim, comida boa e de graça, posso comer à vontade? Não, não posso. Se eu “estragar” de comer, vai bater um sono desgraçado depois. Então, tenho que maneirar, mas claro que dá pra me alimentar bem.
Até a hora de chegar em casa não sinto fome, mas tenho que fazer um “número dois” no banheiro antes de ir embora (geralmente, no trabalho, vou uma vez ao banheiro para fazê-lo e umas três vezes pra fazer “pipi”).
“Ufa, cheguei em casa!”. Geralmente não como nada, não por preguiça, prefiro ficar segurando a fome pra hora do jantar (isso economiza dinheiro). Mas aquela revista, e que seja louvada aquela revista, me ajudou e me disse mais uma coisa: “É importante termos um bom café-da-tarde e não comermos muito na janta, para não deitarmos de barriga cheia”.
Preparar as coisas no café-da-manhã é difícil pela preguiça, mas agora é difícil também, só que pelo cansaço. Trabalhei o dia inteiro, tô quebrado. Fazer o que? Simples, é só ir até a padaria da esquina. Vou tanto lá que já tenho até uma ficha para poder comprar fiado. Nem coloco o pé dentro e os empregados já me chamam pelo nome e vão sendo tão simpáticos comigo. Claro, isso é óbvio, fico gastando mundos e fundos lá, eles têm que ser assim mesmo. Enfim, compro outro pão-de-queijo mais um chocolate quente, e gasto três reais e cinqüenta centavos. Só falta a fruta. Sim, a revista disse que é bom comer uma fruta no café-da-tarde também. Preciso comprar logo essas frutas.
Tá chegando a hora do jantar. Como não sei cozinhar muito bem, fico meio restrito ao meu “ajudante”, o microondas. Pelo menos, agora que passei a comer no café-da-tarde, sinto menos fome à noite. Depois de chegar em casa, tomo um banho revitalizante e fico na internet fazendo meus trabalhos, mas assistindo televisão ao mesmo tempo.
O ruim disso é a quantidade de comidas gostosas que eles mostram nas novelas e nos comerciais. Dá uma vontade daquelas. Mas digo não à tentação, nem estou com tanta fome assim, e a revista falou que não pode. Faço uma lasanha, frango empanado, hamburger, tudo no microondas. Sei que não é o mais aconselhável, mas é o que posso fazer. Aliás, mais uma tarefa pra mim: além de comprar frutas, preciso aprender a cozinhar. Mas, além disso, sempre tenho uma saladinha esperta pra acompanhar, pra dar aquela balanceada na alimentação.
“Que sono!”. São dez horas da noite, preciso ir dormir. Todas as refeições já estão bem guardadas aqui na minha barriga. Acho que em geral não estou me alimentando tão mal assim. Amanhã tem tudo isso de novo. Vou ao banheiro, lavo o rosto, faço meu “pipi” noturno, novamente não olho no espelho (não gosto de me ver com essa cara de sono) e vou até meu quarto. Ah, uma coisa eu devo admitir: odeio ver a cama desarrumada na hora que vou dormir, como eu odeio!

Nenhum comentário:

Postar um comentário